Floresta dos Guarás ganha Fórum de Governança

Instância instituída pela sociedade civil organizada se propõe a pensar, discutir e articular soluções viáveis para problemáticas referentes ao polo turístico e è microrregião do Litoral Ocidental Maranhense

 

Entes da sociedade civil organizada maranhense, assim como representantes do poder público do Litoral Ocidental, debateram por dois dias sobre as problemáticas que oferecem risco à sustentabilidade da Floresta dos Guarás.

Entes da sociedade civil organizada maranhense, assim como representantes do poder público do Litoral Ocidental, debateram por dois dias sobre as problemáticas que oferecem risco à sustentabilidade da Floresta dos Guarás.

Uma conquista protagonizada pela sociedade civil organizada visa empoderar de conhecimento e articular ações para a sustentabilidade dos dez municípios que integram o polo turístico Floresta dos Guarás, localizado no Litoral Ocidental Maranhense. O Fórum de Governança da Floresta dos Guarás foi criado no último final de semana, como ponto culminante do I Encontro do Polo Floresta dos Guarás, evento realizado no município de Guimarães com a participação de, aproximadamente, 200 pessoas.
O encontro nasceu da vontade de um grupo de pesquisadores, professores e representantes da sociedade civil organizada que estudam e buscar soluções para problemas comuns aos municípios do Litoral Ocidental, principalmente os relacionados à sustentabilidade da Floresta dos Guarás. Toda a articulação do evento foi organizada através de uma rede social, por uma comissão composta por nomes como Flávia Mochel, Antônio Marcos Gomes, Marcos Costa e Aricélia Cantanhede.
Na pauta, discussões e mostras de trabalhos científicos com temas relacionados à mudanças climáticas, importância dos manguezais, pesca predatória, resíduos sólidos e destinação do lixo, assim como segurança pública, segurança no trânsito e ações empreendedoras que podem ser pensadas para desenvolver a região, gerando trabalho e renda para a população. A culminância dos trabalhos foi a instituição do Fórum de Governança Floresta dos Guarás.
A Dra. Flávia Mochel, sumidade internacional em manguezais  apresentou aos participantes o quanto as mudanças climáticas já afetam o ecossistema da Floresta dos Guarás

A Dra. Flávia Mochel, sumidade internacional em manguezais apresentou aos participantes o quanto as mudanças climáticas já afetam o ecossistema da Floresta dos Guarás

“Pensar, discutir e articular soluções viáveis para que as comunidades que aqui vivem se empoderem de conhecimento e possam fortalecer as entidades representativas e trazer para junto outras instituições é o que objetivamos quando sonhamos e planejamos este evento para que dele resultasse a criação do Fórum de Governança, uma instância representativa da sociedade civil que atua nesta região”, destacou a Dra. em Geociências do Departamento de Oceanografia da Ufma, professora Flávia Mochel, integrante da comissão organizadora do I Encontro do Polo Floresta dos Guarás – Litoral Ocidental Maranhense pela Sustentabilidade.

Presente ao evento, a prefeita de Guimarães, Nilce Farias, ressaltou para os prefeitos e representantes municipais participantes que o momento não é apenas de conscientização, mas de unirem forças para buscar soluções que permitam a sustentabilidade do Litoral Ocidental, um dos lugares mais belos do Maranhão. “Não buscamos apenas o desenvolvimento do turismo, mas vamos pleitear juntos melhores condições para que a população que vive e trabalha na região possa ter condições de continuar morando aqui com uma melhor qualidade de vida melhor. É hora de nos organizarmos juntos, enquanto poder público, para fazer a parte que nos cabe”, enfatizou a prefeita.
Em sua fase embrionária, o Fórum ainda discutirá com mais veemência a melhor maneira de serem trabalhadas as diversas temáticas que dizem respeito ao Litoral Ocidental Maranhense, especificamente à sustentabilidade da Floresta dos Guarás. “Sabíamos que não seria fácil articular um evento dessa natureza, principalmente tendo como finalidade a instauração de uma instância de governança. Mas tínhamos que partir de um início e podemos dizer que esse evento foi muito proveitoso, não apenas pelas discussões que proporcionou, mas pela rede de relacionamentos que começamos a estreitar a partir de agora. O principal passo foi dado. Agora, depende de cada um de nós e da capacidade de articularmos juntos, as mudanças que serão propostas para benefício e sustentabilidade desta região”, acredita o sociólogo Antônio Marcos Gomes, que também integra a comissão organizadora do Encontro do Polo Floresta dos Guarás.
O I Encontro do Polo Floresta dos Guarás contou com o apoio do Conguarás (Consórcio de Desenvolvimento Regional da Baixada Ocidental e Floresta dos Guarás), Ibama, Cemangue (Centro de Pesquisa e Conservação de Estuários e Manguezais), Universidade Federal do Maranhão, Sebrae, Prefeitura de Guimarães e Governo do Estado.
Mesa de discussões
Sumidade no mundo na pesquisa de manguezais, a Dra. Flávia Mochel proferiu uma palestra sobre as mudanças climáticas que ocorrem no planeta, hoje de maneira mais intensa e perceptível que antes, e de como elas estão interferindo diretamente na vida de quem mora no Litoral Ocidental Maranhense, trazendo como consequência a erosão das praias, o desaparecimento de ilhas, a salinização das reservas de água doce e demais transformações na costa marítima da região.
A questão da pesca predatória, que faz diminuir a capacidade de recursos pesqueiros para a população, foi tema de uma mesa redonda com a participação de representantes das colônias de pescadores do Litoral Ocidental. “Queremos aprender o certo para evitar que a gente fique sem os recursos naturais para exercer o nosso ofício e sobreviver. Antigamente, a gente se afastava da costa apenas umas três milhas para pescar. Hoje, para uma boa pescaria, é necessária chegar a 25 milhas da costa. Queremos encontrar uma solução para vivermos no período que não podemos ir ao mar, sem depender somente do Seguro Defeso”, colocou o pescador Felipe Luzeiro, representando a Colônia de Pescadores do Município de Apicum Açu, onde, devido à pesca predatória, já não se encontra espécies como o sururu, por exemplo.

 

 
Desenvolvendo a economia do território
 
Durante o evento, o superintendente do Sebrae, João Martins deu detalhes sobre o Projeto de Desenvolvimento Econômico que a instituição executará no Litoral Ocidental a partir deste ano

Durante o evento, o superintendente do Sebrae, João Martins deu detalhes sobre o Projeto de Desenvolvimento Econômico que a instituição executará no Litoral Ocidental a partir deste ano

“O Sebrae já está presente na região, por meio da Unidade Regional de Pinheiro que atua em 25 municípios da Baixada Maranhense e do Litoral Ocidental. Cremos que a sociedade civil organizada, com apoio irrestrito de instituições que querem somar com o desenvolvimento dessa região, pode fazer muito pela sustentabilidade do Polo Floresta dos Guarás, principalmente quando busca empoderar de conhecimento a população que aqui vive para que esta discuta e reivindique melhores condições de vida, seja no que diz respeito ao meio ambiente e recursos naturais, seja no que se refira à segurança pública, no trânsito e demais questões sociais, culturais e econômicas”, disse.

Martins destacou que, neste ano de 2016, o Sebrae vai iniciar um projeto específico de Desenvolvimento Econômico Territorial no Litoral Ocidental Maranhense, que será lançado ainda este mês, em evento que acontecerá na cidade de Mirinzal. “O DET é um projeto complexo, voltado para o desenvolvimento sistêmico da região onde buscaremos fomentar e fortalecer as atividades produtivas locais, geradoras de emprego e renda; despertar o empreendedorismo baseado no potencial de oportunidades e vocações locais, como o turismo, de maneira a contribuir com a inclusão produtiva e a geração de novos negócios e promover um ambiente de negócios favorável por meio da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Não podemos esquecer, também, da pesca artesanal, uma grande vocação da região, e que será nosso objeto de estudo e trabalho”, informou o diretor superintendente do Sebrae.
O DET Litoral Ocidental Maranhense será executado em três anos, voltado tanto para a zona urbana quanto rural dos municípios que integram a região e a Floresta dos Guarás. Para tanto, o Sebrae contará com a parceria do poder público, de outras instituições de fomento e assistência técnica e da sociedade civil organizada, com suas entidades e instâncias representativas, como o Fórum de Governança da Floresta dos Guarás.

 

A Floresta dos Guarás
Representantes da Prefeitura de Bequimão estiveram presentes junto com representantes do Sebrae

Representantes da Prefeitura de Bequimão estiveram presentes junto com representantes do Sebrae

Os dez municípios que pertencem ao Polo Floresta dos Guarás são: Guimarães, Mirinzal, Central, Cedral, Porto Rico, Serrano do Maranhão, Cururupu, Bacuri, Apicum Açu e, mais recentemente, Bequimão que estão consorciados ao Conguarás (Consórcio de Desenvolvimento Regional da Baixada Ocidental e Floresta dos Guarás) e, por meio desta instância representativa, buscam trabalhar em conjunto para fortalecer as ações do poder público na região.

Esse incrível ecossistema é composto por parte da floresta amazônica em sua fauna e flora, mangues, florestas, ilhas desertas e áreas de restingas e leva esse nome em homenagem à bela ave de plumagem vermelha, o guará. O local é um santuário ecológico formado por baías e estuários onde os rios desaguam em meio a manguezais.
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por A Tribuna de Bequimão

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