Reunião discute programação da 8ª Semana do Bebê Quilombola

A Prefeitura de Bequimão, através da Secretaria Municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, iniciou nesta quinta-feira (26) os preparativos para a 8ª Semana do Bebê Quilombola. O evento é uma iniciativa pioneira no país, instituída pelo prefeito Zé Martins, e realizada em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Fundação Josué Montello. A Semana do Bebê Quilombola tem o objetivo de ampliar os cuidados com as crianças de até seis anos e gestantes das 11 comunidades remanescentes de quilombo do município.

Nesta manhã, uma reunião foi realizada pela Prefeitura de Bequimão, no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), para definir a programação do evento. Participaram do encontro o secretário de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Rodrigo Martins, representando o prefeito Zé Martins; o prefeito e o vice-prefeito eleitos de Bequimão, João Martins e Magal; servidores das pastas de Igualdade Racial, Assistência Social, Educação e Saúde; representantes das instituições parceiras; e, tradicionalmente, lideranças das comunidades Ramal de Quindiua, Santa Rita, Mafra, Ariquipá, Rio Grande, Sibéria, Marajá, Pericumã, Suassuí, Juraraitá e Conceição. Todas reconhecidas pela Fundação Palmares como remanescentes de quilombos. 

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O representante do UNICEF, Antônio Carlos Cabral, proferiu a palestra “Primeira infância em tempos de Covid-19” aos convidados. Os desafios para o desenvolvimento integral de crianças de até seis anos, bem como as questões que envolvem suas composições familiares e relações sociais, foram abordados na reunião de alinhamento das propostas, para a realização da oitava edição da Semana do Bebê Quilombola. Informações da cartilha “Comunidades Remanescentes de Quilombo de Bequimão-MA: caracterização socioeconômica e ambiental”, lançada durante a roda de conversa pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA), ajudaram a aprofundar o debate e auxiliaram os participantes na busca por soluções para o enfrentamento da desigualdade.

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Durante os sete dias de evento, serão implantadas ações estratégicas relativas à saúde e educação de qualidade, redução das desigualdades sociais e econômicas, igualdade de gênero, além do amplo acesso à Justiça. A promoção e o fortalecimento da atenção primária à infância e também a gestantes dessas comunidades integram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), traçados pela Organização das Nações Unidas (ONU). O plano tem o objetivo de proteger o planeta e garantir que todas as pessoas do mundo tenham direito à paz, segurança e a prosperidade, contribuindo assim com a construção de uma sociedade mais justa, livre e inclusiva.

A Semana do Bebê Quilombola de Bequimão nasceu inspirada na Semana do Bebê, realizada pelo UNICEF. A mobilização social foi instituída no município, por meio da Lei nº 08/2013, de autoria do prefeito Zé Martins, considerando a identidade e as necessidades próprias das comunidades quilombolas. Hoje, cerca de 1.500 famílias quilombolas residem na zona rural de Bequimão, que tem quase 70% de sua população formada por pessoas negras.

Prefeito eleito, João Martins, agradece votação

O prefeito eleito de Bequimão, João Martins (MDB), divulgou, neste domingo (22), um vídeo em agradecimento à população do município pela votação expressiva recebida no dia 15 de novembro. O emedebista e o vice-prefeito eleito, Magal (PT), foram escolhidos por 7.412 eleitores, para administrar Bequimão a partir de 2021. O número representa 50,71% do eleitorado.

“Olá, irmãos e irmãs de Bequimão. Venho aqui agradecer os 7.412 votos que vocês confiaram a mim e a Magal, no último dia 15 de novembro. Durante toda a campanha, visitamos bairros, povoados e ruas de nosso município. Eu, inclusive, estive na sua casa, onde fui muito bem recebido e assumimos o compromisso de continuarmos trabalhando, junto com a comunidade, pelo desenvolvimento do nosso município.” — João Martins

Ao todo, 15.260 bequimãoenses compareceram às urnas de Bequimão este ano. O percentual de eleitores que participou do processo democrático de escolha dos novos prefeito e vice-prefeito do município foi de 81,57%. Já a taxa de abstenção ficou em 18,43% (3.448 eleitores). Nesta fatia do eleitorado, poderiam ser incluídos votos brancos e nulos e ainda os eleitores que estariam indecisos e, por alguma razão, não compareceram às 53 seções eleitorais instaladas no município.

Acompanhe a cobertura das eleições

A análise aprofundada dos números dimensiona a larga vantagem de João Martins e Magal sobre os adversários. Mesmo que todos os eleitores que se abstiveram do processo eleitoral tivessem comparecido às urnas e o segundo ou o terceiro colocado concentrasse esses votos, ainda sim oposicionistas teriam sido derrotados pelos candidatos da Coligação “Juntos por Bequimão”.

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João Martins e Magal foram eleitos com uma diferença esmagadora de votos. O primeiro cenário mostra que os candidatos tiveram 3.778 votos à frente do segundo colocado, 25,85% a mais. Já o segundo cenário revela uma diferença de 4.186 votos, 28,64% a mais do que o terceiro colocado. A previsão das pesquisas se confirmou nas urnas: a população de Bequimão reconhece e confia no trabalho do grupo liderado pelo prefeito Zé Martins em prol do município e de seus habitantes.

“Essa vitória maiúscula retrata o reconhecimento da população ao trabalho que vem sendo realizado pelo nosso grupo político, em nossa terra. Reforço os nossos sinceros agradecimentos e convido você a continuar confiando e caminhando conosco, para construirmos #OMelhorPraBequimão.” — João Martins

Assista ao agradecimento de João Martins

Vice-prefeito eleito, Magal, agradece votação

O vice-prefeito eleito de Bequimão, Sidney Magal (PT), divulgou, neste domingo (22), um vídeo em agradecimento à população do município pela votação expressiva recebida no dia 15 de novembro. O petista e o prefeito eleito, João Martins (MDB), foram escolhidos por 7.412 eleitores, para administrar Bequimão a partir de 2021. O número representa 50,71% do eleitorado.

“Companheiros e companheiras de Bequimão, viemos hoje agradecer a cada um de vocês que junto somaram 7.412 votos de confiança e elegeram João Martins e Magal, com uma ampla vantagem. Isto só aumenta o nosso compromisso e responsabilidade com a nossa gente.” — Sidney Magal

Ao todo, 15.260 bequimãoenses compareceram às urnas de Bequimão este ano. O percentual de eleitores que participou do processo democrático de escolha dos novos prefeito e vice-prefeito do município foi de 81,57%. Já a taxa de abstenção ficou em 18,43% (3.448 eleitores). Nesta fatia do eleitorado, poderiam ser incluídos votos brancos e nulos e ainda os eleitores que estariam indecisos e, por alguma razão, não compareceram às 53 seções eleitorais instaladas no município.

Acompanhe a cobertura das eleições

A análise aprofundada dos números dimensiona a larga vantagem de Sidney Magal e João Martins sobre os seus adversários. Mesmo que todos eleitores que se abstiveram do processo eleitoral tivessem comparecido às urnas e o segundo ou o terceiro colocado concentrassem todos esses votos, ainda sim, seriam derrotados pelos candidatos da Coligação “Juntos por Bequimão.

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Sidney Magal e João Martins foram eleitos com uma diferença esmagadora de votos. O primeiro cenário mostra que os candidatos tiveram 3.778 votos à frente do segundo colocado, 25,85% a mais. Já o segundo cenário revela uma diferença de 4.186 votos, 28,64% a mais do que o terceiro colocado. A previsão das pesquisas se confirmou nas urnas: a população de Bequimão reconhece e confia no trabalho do grupo liderado pelo prefeito Zé Martins em prol do município e de seus habitantes.

“Tenham certeza que vocês escolheram #OMelhorPraBequimão. E, a partir de 1 de janeiro, estaremos juntos, construindo uma gestão participativa e transparente, como nos comprometemos durante toda a campanha. Muito obrigado a todos que estiveram conosco nesta caminhada vitoriosa . E fiquem tranquilos, eu e João Martins, trabalharemos dia e noite para fazer a melhor administração da história de Bequimão.” — Sidney Magal

Assista ao agradecimento de Magal

População negra recebe assistência da gestão Zé Martins desde a infância

Entre os 21.299 habitantes de Bequimão, mais de 13.500 são negros e negras. Essa quantidade representa cerca de 65% da população. Os números levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam o que se pode perceber facilmente pelas ruas do município: o povo bequimãoense é, essencialmente, negro.

Embora fosse a maioria, as políticas públicas eram deficientes e não alcançavam, em especial, os moradores das comunidades remanescentes de quilombos. As lutas eram permanentes e se arrastavam por anos e anos. Mas suas reivindicações só foram ouvidas na administração de Zé Martins, reconhecido pelos próprios quilombolas como o prefeito que mais já deu atenção à causa negra.

Cuidado desde a infância 

Em 2013, a Prefeitura Municipal de Bequimão, por meio da Secretaria da Cultura e Promoção da Igualdade Racial, decidiu enfrentar um desafio ousado. O UNICEF já realizava em alguns lugares do Brasil a Semana do Bebê, mas a administração bequimãoense percebeu que o município tem algumas peculiaridades e resolveu apresentar a proposta de fazer a primeira Semana do Bebê Quilombola do país. Bequimão se tornou pioneiro e referência por esse projeto. 

 “Fazer a Semana do Bebê Quilombola não significa apenas promover um evento, com duração de uma semana, a cada ano. Significa um compromisso permanente e concreto pela melhoria de indicadores de impacto social. Aceitamos esse desafio, que possuía uma dimensão ainda mais grandiosa, por se tratar de um trabalho com um grupo, historicamente, menos privilegiado: as crianças quilombolas. ”, destacou o prefeito Zé Martins. 

A equipe do UNICEF acompanha todo o trabalho. Durante todo o ano, são monitorados 13 indicadores sociais. No primeiro ano do projeto, oito desses indicadores estavam em situação de risco, no vermelho. Depois das ações realizadas na gestão do prefeito Zé Martins, quatro desses indicadores já estão em situação estável. 

Diminuiu a taxa de mortalidade de crianças e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos por causas externas; Todas as crianças de até um ano de idade agora já possuem registro civil; aumentou o percentual de escolas da rede pública municipal que atingiu ou mesmo ultrapassou a meta do IDEB; e foi reduzida a proporção de óbito materno. “ A melhoria dos indicadores sociais nos mostra que a vida das crianças e de suas famílias está melhorando e que a Semana do Bebê Quilombola está cumprindo o objetivo de tornar prioridade o direito à sobrevivência e ao desenvolvimento das crianças de até seis anos de idade, a chamada primeira idade”, frisou o secretário municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Rodrigo Martins. 

Outra dimensão da Semana do Bebê Quilombola é o resgate e valorização da cultura do povo negro. Em todas as atividades, há sempre apresentação de tambor de crioula, terecô e momentos de diálogo com benzedeiras e parteiras. Entre as atividades realizadas estão oficinas sobre contação de histórias, cuidados na primeira infância, diálogos sobre cultura, cinema nas comunidades, amamentação e alimentação na primeira infância, dicas de prevenção à gravidez, acidentes na primeira infância, imunização, torneio de futebol infantil, rodas de conversas e outras atividades com foco na preservação da cultura quilombola.

Parceria que deu certo

O sucesso da Semana do Bebê Quilombola se deve, em grande parte, às parcerias com as 11 comunidades quilombolas já certificadas pela Fundação Palmares no município (Santa Rita, Rio Grande, Ariquipá, Ramal do Quindiua, Pericumã, Marajá, Conceição, Mafra, Sibéria, Juraraitá e Suassuí) e também com a Fundação Josué Montello e com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Igualdade Racial.

A Semana do Bebê Quilombola em Bequimão foi criada pelo prefeito Zé Martins, por meio da Lei Nº 09/2013, que tem como estratégia a mobilização social com vistas a contribuir com a proteção, cuidados e o desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos, a chamada primeira infância, nas comunidades remanescentes de quilombo do município. 

Gestão Zé Martins reforça assistência médica a idosos quilombolas

A vida no campo, a lida com a terra, o constante contato com a natureza e o forte vínculo familiar são algumas características da vida de idosos quilombolas. Para conhecer mais sobre o modo de vida e a saúde dessa população, pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão, campus de Pinheiro, iniciaram em 2018 um estudo com a participação de 208 idosos das comunidades quilombolas Ariquipá, Suassuí, Sibéria, Pericumã, Juraraitá, Mafra, Santa Rita, Conceição, Ramal do Quindiua, Rio Grande e Marajá.

A primeira fase da pesquisa fez o levantamento de informações baseadas em questionários aplicados aos moradores com mais de 60 anos de idade. Eles procuravam saber as condições socioeconômicas, demográficas, sanitárias, os comportamentos de saúde e as doenças que mais afetam os idosos de comunidades quilombolas. Na época, a hipertensão arterial apareceu como a doença com maior incidência entre o grupo. As outras enfermidades mais relatadas foram os problemas de coluna, glaucoma/catarata e diabetes, principalmente entre as mulheres. 

Em 2019, a equipe de pesquisadores dos cursos de Medicina e Enfermagem, retornaram a Bequimão e realizaram coleta de sangue e urina para análise em laboratório. Foram avaliados o hemograma completo, glicemia de jejum, lipidograma completo, PSA (somente homens), ácido úrico, ureia, creatinina, TGO, TGP e EAS (sumário de urina). As coletas dessa nova fase foram acompanhadas pelo secretário Rodrigo Martins.

O estudo ainda não foi concluído e terá novas fases. A Prefeitura de Bequimão, parceira do projeto, pretende usar os dados gerados pela pesquisa para melhorar o planejamento das políticas de saúde voltadas a essa população. 

Comunidades quilombolas foram certificadas na gestão Zé Martins

Uma das mais importantes reivindicações das comunidades quilombolas diz respeito à certificação que é emitida pela Fundação Palmares, órgão vinculado ao Ministério da Cultura. Com apoio da Prefeitura Municipal de Bequimão, na gestão do prefeito Zé Martins, foram certificadas as comunidades de Pericumã, Santa Rita e Suassuí. 

A certificação torna mais fortes as ações que buscam promover e preservar as culturas afro-brasileiras. Também é um passo importante, porque possibilita a abertura do processo para titulação da terra e de inclusão nas políticas de reforma agrária, junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), bem como no Projeto Nacional de Habitação Rural (PNHR).

Há outras comunidades quilombolas aguardando o processo de certificação pela Fundação Cultural Palmares, como explica o secretário Rodrigo Martins: “Estamos aguardando o andamento do processo de certificação das comunidades Monte Palma, Frechal, Águas Belas, Santa Tereza, Monte Alegre, Pontal, Boa Vista e Iriritiua, para que os moradores dessas comunidades tenham o direito à terra, moradia, saneamento básico e programas do governo federal.”

Gestão Zé Martins incentiva esporte com Copa Quilombola

Competição, união e espírito esportivo são palavras de ordem para quem é apaixonado por futebol. Nas comunidades quilombolas não é diferente. Pensando nisso, o prefeito Zé Martins firmou parceria com o Governo do Estado e com o Instituto Solis para a realização da Copa Quilombola de Futebol Troféu Negro Cosme, que tem o objetivo de promover a integração entre as comunidades quilombolas do Maranhão. 

A primeira fase da Copa acontece no próprio município com os times das comunidades quilombolas de Bequimão. Para preparar as pessoas que atuariam como juízes e bandeirinhas, a Prefeitura realizou, em parceria com as secretarias estaduais de Esportes e de Igualdade Racial, o Curso de Formação de Árbitros, ministrado na época pelo então presidente da Associação de Árbitros do Maranhão, Josivan Ribeiro Pereira.

Com os árbitros formados, foi o momento de iniciar o campeonato. Na primeira edição, 11 comunidades quilombolas participaram da copa. Na etapa realizada em Bequimão, a equipe vencedora foi da Comunidade Quilombola Conceição, que depois representou o município na fase que aconteceu em São Luís. Pela primeira vez, um time da zona rural representou Bequimão em competição de futebol de nível estadual. Além da premiação, cada time recebeu uma equipagem completa. 

 “A realização dessa Copa Quilombola é feita na perspectiva de valorizar e integrar o povo negro das comunidades nos diversos municípios que sediarão o torneio. O esporte aproxima as pessoas, resgata valores, fortalece vínculos e eleva a autoestima de qualquer povo”, destacou o prefeito Zé Martins.

A II Copa Quilombola aconteceu em 2019. Nesta edição, o campeão da etapa municipal foi o time de Ramal de Quindiua, que representou o município de Bequimão na etapa estadual, em São Luís.

Gestão Zé Martins apoia manifestações e mantém viva cultura quilombola

“Se a gente lembrar as coisas difíceis que o negro passa… Como é difícil um negro ter curso superior; como é difícil os outros reconhecerem a igualdade. É por isso que a gente luta. É por isso que estamos aqui”, desabafou, emocionado, o líder da comunidade quilombola Conceição, Francisco Carlos, conhecido como Pinininho, durante uma das edições do Festival Quilombola de Bequimão. O evento é realizado desde o ano de 2014 pela Prefeitura Municipal de Bequimão, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, com a presença de representantes da Secretaria Estadual Extraordinária de Promoção da Igualdade Racial (SEIR).

A fala de Pinininho foi ouvida por moradores das onze comunidades quilombolas que já foram certificadas e por gestores públicos municipais e do governo do Estado. Ele destacou o anseio por um momento em que os quilombolas pudessem se encontrar. “Nós fomos trazidos da África e podemos mostrar para esse povo brasileiro que a gente é importante. As pessoas que vieram da África deixaram de legado pra gente essa cultura tão bonita”, disse.

O líder comunitário lembrou a herança que se materializa no tambor de crioula, forró de caixa, nas religiões de matriz africana, nas benzedeiras e parteiras. São manifestações que, em Bequimão, passaram a ter mais apoio na administração do prefeito Zé Martins, primeiro do país a realizar a Semana do Bebê Quilombola, evento que tornou mais forte a vontade de fazer um festival que reunisse todas as comunidades remanescentes de quilombolas do município.

Durante dois dias, cidadãos dos quilombos, líderes comunitários e de movimentos sociais têm um espaço para dialogar com o poder público, buscando políticas que possam favorecer as comunidades quilombolas. Mais de mil pessoas já participaram do festival. Para o representante do Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom) e da Pastoral da Terra, Fábio Silva, a luta é pela garantia de direitos que foram negados historicamente aos descendentes de africanos. “A abolição não existiu, de fato, pois não garantiu saúde, educação e, principalmente, o território onde os negros vivem, trabalham e exercem sua religiosidade. Por isso, precisamos estar unidos, para buscarmos aquilo que nos foi negado”, frisou.

Nos dias do festival, são feitas ações de saúde, encontro das lideranças quilombolas, exibição de vídeos, rodada de conversa e apresentações culturais das diversas comunidades. Em Bequimão, estão certificadas pela Fundação Palmares, como comunidades remanescentes de quilombos, os povoados Santa Rita, Rio Grande, Ariquipá, Ramal do Quindiua, Pericumã, Marajá, Conceição, Mafra, Sibéria, Juraraitá e Suassuí. 

Gestão Zé Martins capacita produtores rurais quilombolas de Bequimão

A Prefeitura de Bequimão investe, ainda, em iniciativas que têm o objetivo de gerar emprego, renda e autonomia econômica para essas comunidades. Em parceria com o Sebrae/MA, foi oferecido o curso de “Melhoramento da Produção, na fabricação de Farinha de Mandioca” nas comunidades quilombolas de Juraraitá, Ramal do Quindiua e Marajá. 

Os produtores foram orientados para melhor aproveitamento do subproduto da mandioca, com a produção de sabão, vinagre; melhoramento da goma de tapioca; adubação do solo; carrapaticida e pesticida para o controle de pragas e insetos que atacam as lavouras; manejo de fabricação e higiene da matéria prima e base física.

Feliz pela capacitação de seu povo, o presidente da Associação Nova União dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Quilombolas de Juraraitá, Ivan Pereira, aproveitou para agradecer a parceria entre Sebrae e Prefeitura de Bequimão. “Quero agradecer a oportunidade e estou muito satisfeito pelos resultados obtidos com a capacitação dos produtores na comunidade”, finalizou a liderança comunitária.

A farinha produzida nas comunidades já é comercializada toda semana na Feira da Agricultura Familiar, com aceitação muito boa entre os clientes. Uma ação que tem mudado e melhorado, na prática, a vida dos quilombolas de Bequimão.

Outros cursos também foram realizados para desenvolver a produção das comunidades quilombolas em diversas áreas.  Em parceria como o IFMA campus Maracanã foi realizado o curso de capacitação sobre Piscicultura. Realizado pela equipe do Núcleo de Maricultura (Numar) em janeiro deste ano (2020), o curso contou com a participação de 22 piscicultores de comunidades quilombolas da região. Entre os temas abordados estava a seleção de área, construção de tanques e viveiros, seleção das espécies para cultivo, manejo de estocagem, qualidade da água e manejo nutricional. 

Outra ação realizada foi o Curso Técnico em Agropecuária pelo Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), em regime de alternância. A Prefeitura de Bequimão é parceira dessa iniciativa com o IFMA Campus Maracanã. Os alunos selecionados são das comunidades quilombolas de Rio Grande e Juraraitá e do povoado Ponta dos Soares.  

Para este ano também estavam previstos cursos de capacitação sobre Avicultura, Processamento de Polpas, Hortaliças, Aquicultura e Produção de Ovos de Galinha Caipira, também em parceria com o IFMA campus Maracanã – São Luís, mas em razão da pandemia do coronavírus, foi adiado.

Gestão Zé Martins ofertou educação quilombola em curso junto ao IFMA

Professores e líderes comunitários de Bequimão concluíram o Curso de Formação Continuada em Educação Escolar Quilombola, executado pelo IFMA – Campus Maracanã em parceria com a Prefeitura Municipal de Bequimão. Participaram 49 alunos do curso, que formavam as duas turmas ofertadas pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, do Ministério da Educação (Secadi/MEC).

Em 200 horas de aulas e atividades de pesquisa, os alunos do curso puderam refletir e encontrar soluções para questões envolvendo a educação nas comunidades quilombolas do município. Eles adquiriram conhecimentos em sala de aula e depois fizeram uma pesquisa de campo, que resultou na elaboração de um material didático. A proposta, agora, é fazer testes nas escolas e nas comunidades, para avaliar se esse material realmente contempla a diversidade e identidade dos quilombolas de Bequimão.

“Eles vão levar para dentro da sala de aula o conhecimento tradicional”, disse o coordenador do curso, Dorival dos Santos, ao comentar a relevância desse material, já que, em geral, os materiais didáticos não conseguem dar conta da realidade das diferentes comunidades brasileiras. Segundo ele, depois de avaliado, a edição do material será concluída e encaminhada ao MEC, ao IFMA e à Prefeitura de Bequimão para uma possível publicação.

Para a professora Maria de Jesus, que tem a experiência de ser secretária adjunta de Educação e também aluna do curso, a pesquisa nas comunidades foi um momento rico na formação, pela oportunidade de conhecer melhor o próprio município e seu povo. “Nas comunidades, as pessoas ficaram felizes em poder contar suas histórias, a história de sua comunidade”, garantiu. 

O coordenador do curso, Dorival dos Santos, ressaltou que o município de Bequimão é pioneiro ao receber o Curso de Formação em Educação Escolar Quilombola, o primeiro a ser oferecido no país abordando essa temática. O coordenador fez uma reflexão sobre o cenário nacional dos cursos de formação, destacando as dificuldades enfrentadas em sua execução. Muitos estão parados e outros nem iniciaram. “Por isso, agradeço pela parceria da Prefeitura e suas secretarias, sem a qual teria sido inviável a execução do curso, e sou grato a todas as instâncias do IFMA e, em especial, do Campus Maracanã. Também nada seria possível se não fosse o empenho de cada um dos cursistas. Vocês são os verdadeiros responsáveis pelo sucesso do curso”, finalizou.