Prefeitura de Bequimão entrega produtos ao bebê prefeito do Quilombo Santa Rita

A Semana do Bebê Quilombola em Bequimão foi criada pelo prefeito Zé Martins (PMDB), por meio da Lei Nº 09/2013, que tem como estratégia a mobilização social com vistas a contribuir com a proteção, cuidados e o desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos, a chamada primeira infância, nas comunidades remanescentes de quilombo do município.

Através dessa lei, todos os anos durante a Semana do Bebê Quilombola, que acontece de 25 a 30 de novembro, o bebê que nascer nesse período recebe a chave do município e é batizado como o prefeito do quilombo por um ano. Durante o período que o bebê estiver como prefeito, a Prefeitura de Bequimão ajuda com produtos que beneficiam a criança e a mãe, além dele ter prioridade nos atendimentos na saúde ou outros setores da gestão municipal.

Na última quarta-feira (9), o prefeito Zé Martins, juntamente com a secretária de Cultura e Igualdade Racial, Dinha Pinheiro, entregaram, mais uma cesta básica ao Bebê-prefeito indicado na 5ª Semana do Bebê Quilombola, realizada em 2017. Ícaro levy Cantanhede Rodrigues, é filho de Ivonete Cantanhede e Luís Carlos da Hora Rodrigues, morador da Comunidade Quilombola Santa Rita, e recebe todo apoio como manda a lei nº 09/2013 .

Os produtos que compõem a cesta básica são: 3 kg de arroz; 1 lata de leite ninho; 1 lata de mucilon; 2 caixas de cremogema; 1 pacote de creme de macaxeira; 2 pacotes de leite; 1 pacote de mucilon; 2 kg de açúcar; 2 pacotes de café; 2 pacotes de macarrão; 1 kg de feijão; 1 óleo; 2 pacotes de biscoito; 1 pacote de fraldas descartável; 2 pacotes de sabão em pó e 1 sabonete de bebê.

Para o prefeito Zé Martins, a Semana do Bebê Quilombola trás muitas felicidades, já que os indicadores melhoram a cada ano. “Estamos cumprindo com o que lei municipal nos manda fazer. Todo ano uma criança é escolhida para ser o prefeito ou prefeita no quilombo e a gente faz a nossa parte com cesta básica que ajudam no desenvolvimento da criança e da mãe também”, destacou o prefeito.

 

Anúncios

Bequimão se prepara para Primeira Semana do Bebê Quilombola

bebe quilombolaDez comunidades do município de Bequimão, localizado a 54 km de São Luís, foram mobilizadas para a 1ª Semana do Bebê Quilombola, que acontecerá entre os dias 25 e 30 de novembro. O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial, Prefeitura Municipal de Bequimão, Unicef, Fundação Josué Montello, Pampers e a empresa RGE uniram forças para levantar a discussão sobre a prioridade do direito à sobrevivência e ao desenvolvimento de crianças de até 3 anos de idade. A solenidade de abertura ocorrerá na segunda-feira (25), às 9h, na Câmara Municipal de Bequimão.

Os moradores das comunidades quilombolas ajudaram a elaborar a programação da Semana. Foram eles que escolheram, em assembleia, o tema “O Direito, a Sobrevivência e o Desenvolvimento da Criança Quilombola”, com o intuito de destacar os cuidados que se deve ter com a criança logo na primeira infância. As atividades serão realizadas, simultaneamente, nos povoados Santa Rita, Rio Grande, Ariquipá, Ramal do Quindíua, Pericumã, Marajá, Conceição, Mafra, Sibéria e Juraraitá, todas certificadas como remanescentes de quilombolas.

Pioneira no Brasil, a Semana do Bebê Quilombola de Bequimão foi construída de maneira participativa e colaborativa, para servir como modelo a outros municípios do país. No começo do mês de outubro, a secretária Estadual de Igualdade Racial, Claudett de Jesus Ribeiro, e a secretária Municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro, promoveram rodas de conversa em sete dessas comunidades.

Os moradores dos quilombos opinaram sobre aspectos importantes ao desenvolvimento infantil, como a necessidade de consultas ao pediatra, cuidados com alimentação, amamentação, brincadeiras e passeios, estabelecimento de limites desde cedo, bons exemplos dos pais, dentre outros.

A partir das respostas, foram propostas ações que valorizam o jeito característico, nos quilombos, de cuidar das crianças. “Assim como na África, tudo aqui é coletivo. Então, toda a comunidade educa a criança e todas se criam juntas. Queremos que isso seja reforçado, como forma de manter a identidade dos negros quilombolas”, destacou Claudett Ribeiro.

Troca de experiências

Durante a Semana, serão partilhadas experiências que demonstram a necessidade de preservar a cultura da população quilombola. Haverá momento para se falar dos remédios, rezas e das crenças que vieram da África; para contação de história sobre a infância dos avós; discussão a respeito das mulheres guerreiras e da importância das crianças nos quilombos, além de conversas sobre gravidez e parto.

Pontos de luz, como serão chamados os facilitadores, estimularão histórias como a de Eunice Cruz Pinheiro, 24 anos, que deu luz ao filho Renan Cruz Pinheiro, hoje com 4 anos. Ela fez todo o pré-natal no hospital do município, mas no dia do parto estava chovendo muito forte e a ambulância não conseguiu chegar até sua casa, que fica após um rio. A solução foi realizar o parto em casa, tendo como parteira a própria avó. “Aqui, na comunidade, a gente acha até melhor ter o filho em casa, por que a gente recebe o cuidado da família. Além disso, todo mundo dá apoio, pode ser de qualquer pessoa, de um professor ou parente, que aconselham”, contou a jovem mãe quilombola.

Esse conhecimento tradicional dialogará com políticas de assistência e cuidados à primeira infância. Médicos, enfermeiros, nutricionistas e agentes de saúde estarão nas comunidades prestando serviços de vacinação, atendimento médico básico, orientação alimentar e de saúde bucal. “Reconhecemos a importância dessas comunidades para a história e para a construção do nosso município. Por isso, queremos oferecer todas as condições para que a identidade dos quilombos seja preservada, ao mesmo tempo em que ampliamos a assistência por meio das políticas públicas”, afirmou o prefeito José Martins (PMDB).

Bequimão em números

  • 20.339 habitantes;
  • 10.344 homens e 9.995 mulheres;
  • 13.748 vivem na zona rural;
  • 6.591 moram na zona urbana;
  • 6.921 identificam-se como brancas;
  • 13.319 são negros;
  • 18 comunidades remanescentes de quilombos;
  • 10 são certificadas pela Fundação Cultural Palmares.