Comunidade quilombola Conceição recebe 1º Festival Cultural Afro

O município de Bequimão ganhou mais um evento para reforçar a luta por reconhecimento da identidade dos quilombolas. No dia 16 de dezembro, aconteceu o 1º Festival Cultural Afro, idealizado pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial. Atividades de lazer, recreação, cursos e confraternização movimentaram o evento, no povoado Conceição.

Em cada pedacinho da comunidade, havia um grupo mobilizado. Uns participavam de competições esportivas, outros de oficinas; as crianças brincavam com monitoria de alunos do curso de Educação Física, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

“São nossos alunos da disciplina Jogos e Brincadeiras. A gente traz esses estudantes para um contato direto com as crianças, tanto em escolas, como em comunidades, para que eles possam vivenciar outras realidades. A comunidade acolhe muito bem os alunos e as crianças participam muito. É sempre muito produtivo. Eles vêm muito mais para aprender do que para ensinar a gurizada”, explicou a professora Jucilea Neres Ferreira, que é doutora pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).

As brincadeiras eram baseadas em jogos populares, pré-desportivos e  cantadas. Um projeto de pesquisa sobre brincadeiras transmitidas pela cultura popular está sendo elaborado, tendo as comunidades de Conceição (Bequimão) e Cajueiro (Alcântara) como campo para o estudo.

Outra atividade que movimentou o festival foi a oficina de produção de sabonete, ministrado pela secretária de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro. Quem aproveitou bem foi dona Vicência Coelho, 65 anos. “Achei muito ótimo. Aprendi a fazer sabonete. Eu tô confiante de que depois eu tenho os materiais e eu dou conta de fazer. Eu tava bem ali pertinho, eu fui aprendendo tudo. Fiquei muito contente e feliz de ter participado”, contou.

Políticas quilombolas 

A gestão do prefeito Zé Martins promove, desde 2013, ações específicas para atender as comunidades quilombolas, o que tem resultado em indicadores sociais melhores. O Festival Cultural Afro é mais uma dessas iniciativas, desta vez com enfoque na questão identitária. “Essa iniciativa do Festival Afro é para dizer para a comunidade quilombola que temos uma cultura, que somos gente, e para mostrar que temos uma cultura que é nossa. Aqui em Bequimão, temos uma Prefeitura e uma Secretaria de Cultura e Promoção da Igualdade Racial que nos ajuda nisso, que nos dá apoio”, explicou o líder comunitário Francisco (Pinininho).

O vice-prefeito Sidney Nogueira (Magal) acompanhou a programação. Ele foi um dos alunos da oficina de tambor de crioula. O Festival terminou com apresentações culturais e reggae.

 

 

 

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Cruz Vermelha Viva atende comunidades quilombolas em parceria com Prefeitura de Bequimão

Mais de 1.400 moradores das 11 comunidades quilombolas de Bequimão foram atendidos pela operação Cruz Vermelha Viva. A ação, promovida entre os dias 24 e 29 de julho, foi viabilizada pelo prefeito Zé Martins e pela secretária de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro, que fizeram a parceria, garantindo apoio logístico, estrutural e material de uso. Esta é a segunda vez que o projeto chega ao município. A primeira edição foi em 2015.

Nos seis dias de operação, era fácil encontrar, pelo interior do município, profissionais e estudantes universitários com os coletes vermelhos e detalhes em amarelo e branco. Era o sinal de que ali estavam sendo realizadas ações sociais, com doação de mantimentos, roupas, calçados e, principalmente, atendimentos em saúde. “Tudo isso foi feito de duas maneiras: em um local de concentração, em momentos na casa de alguém da comunidade ou nas escolas; a segunda maneira foi a visita domiciliar”, explicou o assistente de Voluntariado, Pedro Oliveira.

A equipe da Estratégia Saúde da Família, da Prefeitura de Bequimão, também colaborou na ação. Em cada lugar, eram feitos testes de glicemia, aferição de pressão arterial, entrega de kits de higiene bucal, aplicação de flúor, palestras sobre a saúde da população negra, aconselhamentos de saúde e de alimentação e orientações de postura física. Ainda teve espaço para o CineCruz, com exibição de filmes nas comunidades, além de recreação e entrega de brinquedos.

Para tantos atendimentos, foram mobilizados enfermeiros e estudantes universitários das áreas de Enfermagem, Medicina, Farmácia, Odontologia, Nutrição e Educação Física. A partir dessa ação, também foi produzido um mapeamento das problemáticas  que afetam as comunidades quilombolas do município, entregue à equipe da Prefeitura de Bequimão.

“Esse diagnóstico nos ajuda muito no planejamento das estratégias que ainda precisamos implantar para garantir melhor qualidade de vida à população quilombola de Bequimão. Podemos dizer que esses 10 profissionais e estudantes vieram colaborar e fizeram história no nosso município”, avaliou a secretária municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro.

Para o prefeito Zé Martins, essas atividades que funcionam como uma espécie de mutirão dão um impulso aos atendimentos prestados no dia a dia. “Prestamos uma assistência mais sistematizada e contínua com as nossas equipes da Estratégia Saúde da Família, que atendem nossas comunidades. Mas é sempre bom ter a colaboração e um olhar de fora, para que, inclusive, possamos identificar o que precisa ser aprimorado no nosso trabalho. A Cruz Vermelha prestou um trabalho muito importe e bonito à nossa população. Queremos continuar com essa parceria”, enfatizou o prefeito.

Colaboraram com a operação Cruz Vermelha Viva, em Bequimão, as secretarias da Saúde, Administração e Transporte. O trabalho alcançou as comunidades quilombolas de Sibéria, Pericumã, Marajá, Rio Grande, Juraraitá, Ariquipá, Sassuí, Conceição, Ramal do Quindíua, Mafra e Santa Rita.

Prefeitura de Bequimão realiza II Semana do Bebê Quilombola

IMG-20141129-WA0020As dez comunidades quilombolas já certificadas de Bequimão foram palco, pelo segundo ano, da Semana do Bebê Quilombola, evento pioneiro no Brasil. Entre os dias 25 e 30 de novembro, foram realizadas várias atividades, que tiveram como tema central “O direito à sobrevivência e ao desenvolvimento da criança quilombola”.

A II Semana do Bebê Quilombola foi organizada pela Prefeitura Municipal de Bequimão, por meio da Secretaria de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, com apoio do Unicef, da Secretaria Estadual de Igualdade Racial e Fundação Josué Montello. O prefeito Zé Martins foi o primeiro do país a instituir a Semana do Bebê Quilombola, evento em defesa de crianças de até seis anos de idade nascidas em comunidades remanescentes de quilombos.

“Precisamos avançar e expandir nossos conhecimentos sobre direitos da crianças negras, bem como fortalecer os processos de participação, enquanto condições básicas para formulação de políticas públicas que atendam às legítimas necessidades  e demandas dos negros no nosso município”, afirmou a secretária de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro.

No dia 25, aconteceu a abertura solene na Câmara dos Vereadores, momento em que foi exibido o filme produzido durante a primeira edição do evento, no ano de 2013. Essa experiência ganhou destaque na II Mostra Internacional dos Bebês, promovida em Belém, no mês de novembro. O município foi representado pela moradora do povoado Ariquipá, Rosenilde Rodrigues.

O segundo dia de atividades teve roda de conversa sobre a importância da criança quilombola; oficina de plantar e debate sobre saúde e a infância. No dia 27, a programação contou com troca de saberes, baseada em atividades lúdicas e artísticas; relato da infância dos nossos avós e apresentação de grupos culturais infantis.

No dia 28, adultos e crianças debateram sobre a crença que veio da África e foi ministrada a oficina “Fortalecendo vínculos esportes na infância”. Nos dois últimos dias, teve partidas de futebol. Todas essas atividades aconteceram, simultaneamente, nos povoados Ariquipá, Conceição, Ramal de Quindíua, Rio Grande, Juraraitá, Marajá, Santa Rita, Mafra, Pericumã, Sibéria.

 

Sessão de vídeo e fotos marca continuidade do projeto que cuida das crianças quilombolas em Bequimão

Na tela, o cenário era bem familiar e os sons que saiam da caixa ecoavam os batuques e vozes do próprio cotidiano. O olhar curioso buscava o autorreconhecimento. Sim, eram eles que estavam nas imagens projetadas na parede da escola, no barracão ou mesmo na televisão da sala. A cena se repetiu nas dez comunidades quilombolas de Bequimão, no último sábado (29) e domingo (30), quando aconteceram as visitas devolutivas da Primeira Semana do Bebê Quilombola, evento pioneiro no país instituído pela Prefeitura Municipal de Bequimão, em novembro do ano passado.

Foram exibidos um vídeo, com imagens captadas durante a Semana, e as fotografias produzidas no período. Depois de se verem e relembrarem momentos marcantes daqueles seis dias, os moradores das comunidades responderam de maneira contundente que as mudanças já começaram a aparecer.  A principal delas é o resgate do sentimento de pertencer a um quilombo, que se reflete na fala de adultos e crianças. “Tenho orgulho de morar numa comunidade quilombola, porque juntos nós formamos uma linda família. E eu tenho orgulho da minha cor. Sou negra de coração”, garantiu a menina Alenice Cunha Melo, 11 anos, do povoado Conceição.

As visitas foram coordenadas pela secretária de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro, e pela representante da Fundação Josué Montello, Gisele Padilha. No retorno às comunidades, a mensagem era de continuidade da ação. A Semana do Bebê Quilombola foi somente o ponta pé inicial para um trabalho permanente e planejado que vai ter duração de três anos.

É que em outubro de 2013 o prefeito Zé Martins assinou o termo de adesão ao Selo Unicef, concedido aos municípios que conseguem cuidar bem das crianças de até seis anos. Para conseguir reduzir a mortalidade infantil, a gravidez na adolescência, ampliar as oportunidades de acesso ao esporte, lazer, educação e saúde, a aposta é em conciliar o saber tradicional das parteiras, curandeiras e a experiência dos mais velhos com as políticas públicas. “O que vai acontecer nessas dez comunidades, com certeza, vai se ampliar para todo o município”, frisou Dinha Pinheiro, que se tornou articuladora do Unicef em Bequimão, após capacitação oferecida aos gestores municipais na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Reunida com representantes de diversas regiões do Maranhão, Dinha teve a satisfação de receber constantes elogios, porque o município de Bequimão tornou-se referência pela coragem de tomar a linha de frente no trabalho pela infância quilombola. “Estamos criando uma rede de parceiros no município, com as secretarias de Saúde, Educação, Esporte e também com as famílias”, destacou a secretária de Cultura e Promoção da Igualdade Racial.

Erradicação do sub-registro

A Semana do Bebê Quilombola aconteceu nas comunidades de Santa Rita, Rio Grande, Arquipá, Ramal do Quindíua, Pericumã, Marajá, Conceição, Mafra, Sibéria e Juraraitá, todas já certificadas pela Fundação Palmares como remanescentes de quilombos. Equipes do próprio lugar foram responsáveis pela busca ativa de pessoas que ainda não possuíam registro de nascimento. Com essa ação, todas as crianças dessas comunidades passaram a ter o direito ao registro civil. Por essa conquista, cada líder das comunidades recebeu um certificado atestando o fim do sub-registro civil de nascimento, até aquela data.

Quem participou da busca ativa também ganhou certificado. Já os atletas que disputaram partidas de futebol ganharam medalhas e troféus. Outra preocupação da coordenação do projeto é a manutenção dos cantinhos para brincar. Foram doados brinquedos, de uso coletivo, para que se proporcionem momentos de socialização e de maior atenção dos adultos a essa importante fase do desenvolvimento humano. “Estamos com esperança de que nossas crianças cresçam com mais inteligência, com mais estudo de qualidade, saúde. A gente era um pouquinho esquecido e isso já mudou. A gente agradece a Prefeitura por isso”, ressaltou dona Mayre Cantanhede, 49 anos, moradora do Santa Rita.

A Semana do Bebê Quilombola é uma promoção da Prefeitura de Bequimão, instituída pelo prefeito Zé Martins, em parceria com o Unicef, Secretaria Estadual de Igualdade Racial e Fundação Josué Montello. Participaram da devolutiva a mobilizadora Rosana Alves, o músico João Victor e o jornalista Romulo Gomes.