Prefeitura de Bequimão realiza II Semana do Bebê Quilombola

IMG-20141129-WA0020As dez comunidades quilombolas já certificadas de Bequimão foram palco, pelo segundo ano, da Semana do Bebê Quilombola, evento pioneiro no Brasil. Entre os dias 25 e 30 de novembro, foram realizadas várias atividades, que tiveram como tema central “O direito à sobrevivência e ao desenvolvimento da criança quilombola”.

A II Semana do Bebê Quilombola foi organizada pela Prefeitura Municipal de Bequimão, por meio da Secretaria de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, com apoio do Unicef, da Secretaria Estadual de Igualdade Racial e Fundação Josué Montello. O prefeito Zé Martins foi o primeiro do país a instituir a Semana do Bebê Quilombola, evento em defesa de crianças de até seis anos de idade nascidas em comunidades remanescentes de quilombos.

“Precisamos avançar e expandir nossos conhecimentos sobre direitos da crianças negras, bem como fortalecer os processos de participação, enquanto condições básicas para formulação de políticas públicas que atendam às legítimas necessidades  e demandas dos negros no nosso município”, afirmou a secretária de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro.

No dia 25, aconteceu a abertura solene na Câmara dos Vereadores, momento em que foi exibido o filme produzido durante a primeira edição do evento, no ano de 2013. Essa experiência ganhou destaque na II Mostra Internacional dos Bebês, promovida em Belém, no mês de novembro. O município foi representado pela moradora do povoado Ariquipá, Rosenilde Rodrigues.

O segundo dia de atividades teve roda de conversa sobre a importância da criança quilombola; oficina de plantar e debate sobre saúde e a infância. No dia 27, a programação contou com troca de saberes, baseada em atividades lúdicas e artísticas; relato da infância dos nossos avós e apresentação de grupos culturais infantis.

No dia 28, adultos e crianças debateram sobre a crença que veio da África e foi ministrada a oficina “Fortalecendo vínculos esportes na infância”. Nos dois últimos dias, teve partidas de futebol. Todas essas atividades aconteceram, simultaneamente, nos povoados Ariquipá, Conceição, Ramal de Quindíua, Rio Grande, Juraraitá, Marajá, Santa Rita, Mafra, Pericumã, Sibéria.

 

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Sessão de vídeo e fotos marca continuidade do projeto que cuida das crianças quilombolas em Bequimão

Na tela, o cenário era bem familiar e os sons que saiam da caixa ecoavam os batuques e vozes do próprio cotidiano. O olhar curioso buscava o autorreconhecimento. Sim, eram eles que estavam nas imagens projetadas na parede da escola, no barracão ou mesmo na televisão da sala. A cena se repetiu nas dez comunidades quilombolas de Bequimão, no último sábado (29) e domingo (30), quando aconteceram as visitas devolutivas da Primeira Semana do Bebê Quilombola, evento pioneiro no país instituído pela Prefeitura Municipal de Bequimão, em novembro do ano passado.

Foram exibidos um vídeo, com imagens captadas durante a Semana, e as fotografias produzidas no período. Depois de se verem e relembrarem momentos marcantes daqueles seis dias, os moradores das comunidades responderam de maneira contundente que as mudanças já começaram a aparecer.  A principal delas é o resgate do sentimento de pertencer a um quilombo, que se reflete na fala de adultos e crianças. “Tenho orgulho de morar numa comunidade quilombola, porque juntos nós formamos uma linda família. E eu tenho orgulho da minha cor. Sou negra de coração”, garantiu a menina Alenice Cunha Melo, 11 anos, do povoado Conceição.

As visitas foram coordenadas pela secretária de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro, e pela representante da Fundação Josué Montello, Gisele Padilha. No retorno às comunidades, a mensagem era de continuidade da ação. A Semana do Bebê Quilombola foi somente o ponta pé inicial para um trabalho permanente e planejado que vai ter duração de três anos.

É que em outubro de 2013 o prefeito Zé Martins assinou o termo de adesão ao Selo Unicef, concedido aos municípios que conseguem cuidar bem das crianças de até seis anos. Para conseguir reduzir a mortalidade infantil, a gravidez na adolescência, ampliar as oportunidades de acesso ao esporte, lazer, educação e saúde, a aposta é em conciliar o saber tradicional das parteiras, curandeiras e a experiência dos mais velhos com as políticas públicas. “O que vai acontecer nessas dez comunidades, com certeza, vai se ampliar para todo o município”, frisou Dinha Pinheiro, que se tornou articuladora do Unicef em Bequimão, após capacitação oferecida aos gestores municipais na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Reunida com representantes de diversas regiões do Maranhão, Dinha teve a satisfação de receber constantes elogios, porque o município de Bequimão tornou-se referência pela coragem de tomar a linha de frente no trabalho pela infância quilombola. “Estamos criando uma rede de parceiros no município, com as secretarias de Saúde, Educação, Esporte e também com as famílias”, destacou a secretária de Cultura e Promoção da Igualdade Racial.

Erradicação do sub-registro

A Semana do Bebê Quilombola aconteceu nas comunidades de Santa Rita, Rio Grande, Arquipá, Ramal do Quindíua, Pericumã, Marajá, Conceição, Mafra, Sibéria e Juraraitá, todas já certificadas pela Fundação Palmares como remanescentes de quilombos. Equipes do próprio lugar foram responsáveis pela busca ativa de pessoas que ainda não possuíam registro de nascimento. Com essa ação, todas as crianças dessas comunidades passaram a ter o direito ao registro civil. Por essa conquista, cada líder das comunidades recebeu um certificado atestando o fim do sub-registro civil de nascimento, até aquela data.

Quem participou da busca ativa também ganhou certificado. Já os atletas que disputaram partidas de futebol ganharam medalhas e troféus. Outra preocupação da coordenação do projeto é a manutenção dos cantinhos para brincar. Foram doados brinquedos, de uso coletivo, para que se proporcionem momentos de socialização e de maior atenção dos adultos a essa importante fase do desenvolvimento humano. “Estamos com esperança de que nossas crianças cresçam com mais inteligência, com mais estudo de qualidade, saúde. A gente era um pouquinho esquecido e isso já mudou. A gente agradece a Prefeitura por isso”, ressaltou dona Mayre Cantanhede, 49 anos, moradora do Santa Rita.

A Semana do Bebê Quilombola é uma promoção da Prefeitura de Bequimão, instituída pelo prefeito Zé Martins, em parceria com o Unicef, Secretaria Estadual de Igualdade Racial e Fundação Josué Montello. Participaram da devolutiva a mobilizadora Rosana Alves, o músico João Victor e o jornalista Romulo Gomes.

Ações em comunidades quilombolas de Bequimão são destaque no Repórter Mirante

semana do bebê quilombolaA TV Mirante transmitiu, na edição de ontem do Repórter Mirante, uma reportagem gravada durante a Semana do Bebê Quilombola, que aconteceu entre os dias 25 e 30 de novembro de 2013. O prefeito Zé Martins conhece bem os problemas por que passam as comunidades quilombolas do município e, por isso, buscou a parceria com o Unicef, a Secretaria Estadual de Igualdade Racial e a Fundação Josué Montello para esse projeto.

No próximo dia 29 e 30, vai ser exibido, nas dez comunidades, um filme produzido durante o evento, que foi só o início das ações da Prefeitura Municipal de Bequimão para que o município possa conquistar o Selo Unicef, daqui a três anos. Para isso, vão ser adotadas várias políticas que tornem a vida de quem mora nos quilombos melhor.

Veja no link abaixo a íntegra da reportagem exibida pela TV Mirante.

Saiba Mais o que foi a Semana do Bebê Quiilombola

Prefeito de Bequimão é primeiro do Brasil a criar Semana do Bebê Quilombola

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O prefeito de Bequimão, Antônio José Martins (PMDB), é o primeiro do país a instituir a Semana do Bebê Quilombola, evento em defesa de crianças de até seis anos de idade nascidas em comunidades remanescentes de quilombos. A iniciativa lançada nesta segunda-feira (25), em solenidade na Câmara Municipal de Bequimão, deve ser reproduzida pelo Unicef em outros municípios do Brasil onde existem quilombolas.

Durante a assinatura simbólica da lei que instituiu a semana, o prefeito lembrou que o município possui quase 13.500 habitantes negros, o que representa cerca de 70% da população local. “São pessoas que carregam consigo uma história de muita luta e de contribuição pelo nosso município. Mas nem sempre essa população recebeu o devido valor”, destacou Martins, para quem essa situação pode ser mudada com parcerias, como as estabelecidas por conta da Semana do Bebê Quilombola. “Com olhos mais sensíveis, vamos lutar para proporcionar melhor qualidade de vida a esses povos”, completou o prefeito.

Trabalham em conjunto o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria Estadual Extraordinária da Igualdade Racial, Prefeitura de Bequimão, Unicef, Fundação Josué Montello, Pampers e RGE. Cada uma das dez comunidades envolvidas também participou do planejamento das ações, reunindo saberes  tradicionais e intervenções que partem do poder público.

O Unicef já apoia prefeituras que se interessam por realizar a Semana do Bebê, mas é a primeira vez que o evento é direcionado às crianças de quilombolas. O oficial do Unicef, Antônio José Cabral, que acompanhou o primeiro dia de programação, defendeu a visão de que as crianças e adolescentes precisam ser encarados como prioridade absoluta nas políticas públicas. Segundo ele, o grupo com maior vulnerabilidade no país são as crianças, principalmente aquelas que moram no nordeste e são negras ou indígenas. “Precisamos trabalhar em cima das desigualdades relevantes, para que as crianças vivam e cresçam sem violência, sem trabalhar. Criança é para estar na escola ou brincando”, enfatizou

Cabral comentou, ainda, que muitas crianças brasileiras morrem antes de completar um ano, vítimas de doenças que podem ser prevenidas com vacinação ou pelo acompanhamento do pré-Natal.  “Toda criança deve ser respeitada e cuidada. Com esta semana, queremos incentivar o desenvolvimento integral desde a infância. Mais tarde, vamos olhar para os indicadores e ver o que está mudando na vida dessas crianças. Vamos perceber, então, que valeu a pena”, garantiu o representante do Unicef.

Em outubro, o prefeito de Bequimão assinou o termo de adesão e inscreveu o município para participar da ação, que é pré-requisito para a conquista do selo Unicef.  O próximo passo é a elaboração de diagnóstico e de um plano de ação visando a melhoria dos indicadores sociais. No final de três anos, caso o município alcance a pontuação, é conferido o selo.

Da cerimônia de abertura, participaram a secretária Estadual da Igualdade Racial, Claudett Ribeiro; a representante da Fundação Josué Montello, Karine Ericeira; a secretária municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Dinha Pinheiro; a presidente da Câmara Municipal de Bequimão,  Francinete Pereira, além de secretários municipais e vereadores.

Comunidades

A programação da Primeira Semana do Bebê Quilombola se estenderá até sábado (29), nas comunidades de Santa Rita, Rio Grande, Arquipá, Ramal do Quindíua, Pericumã, Marajá, Conceição, Mafra, Sibéria e Juraraitá, todas já certificadas pela Fundação Palmares. Enquanto era realizado o lançamento oficial da semana, os pontos de luz, como são chamados os mobilizadores, estimulavam as ações nos quilombos.

Foi momento de parar para ouvir histórias como as de dona Helena Nogueira Gusmão, moradora da comunidade de Ariquipá. Ela relembrou a lida diária para criar os dez filhos, quase todos nascidos pelas mãos das parteiras Odete e Ziloca. “Elas ficavam três dias acompanhando a gente, curando o umbigo da criança. Eu tinha muita confiança. Quando dava dor, eu não achava outro jeito sem chamar elas”, contou.  Para a mulher parida, era servido galinha quase sem tempero. No resguardo, que era o período de 40 dias após o parto, a mãe tomava purgantes e “remédios de mato”.

As lembranças de dona Helena são acompanhadas pelo olhar curioso das crianças. A mesma atenção é dada aos dentistas, médicos, enfermeiros e agentes de saúde que participam da Semana do Bebê Quilombola, sensibilizando pais e filhos para a necessidade de prevenção de doenças. Um ponto forte é a sensibilização da comunidade para a utilização cotidiana da multi-mistura, importante como complemento alimentar.

A Semana do Bebê Quilombola encerrará no sábado (30), com uma grande caminhada no Centro de Bequimão, quando será levantada a bandeira contra o racismo na infância.